Introdução de diferença

O que sabemos é pouco ainda: um extraterrestre, um marciano, habitando o planeta Terra faz quatro décadas, agora vai retornar ao seu planeta de origem, mas, antes de a ele retornar, deixará algumas palavras ao ser humano. É isso o que temos. E o que mais?

Pensamos sobre a intolerância humana. Queríamos e queremos dar a ver algo sobre a intolerância do homem. Isso nos fez pensar a história da humanidade, tão preenchida desses casos de violencia e destruição, morte e ódio. Certo. E mais o quê?

Seria preciso então pensar o modo pelo qual essa história seria contada e inventada. O modo como um procedimento que, desde já, anuncia os conteúdos todos. Eu quero dizer: a coisa está no modo pelo qual ela será apresentada. Pensemos: se ficarmos presos apenas a esse relato desse extraterrestre, pouco abriremos de diferença em relação ao que ele poderia, inclusive, nos dizer sobre a raça humana. Porém, se especularmos outra forma que não apenas a do relato, então, inevitavelmente, veremos outro tipo de assunto brotar em nossa criação.

Ainda não me faço claro. Eu quero dizer que a diferença está, primeiramente, no modo pelo qual essa fábula será apresentada. Se quisermos que tal fábula atualize algumas características da condição humana, então, inevitavelmente, teremos que ousar outros modos de contar. Porém, por que essa exigência de introduzir uma diferença?

Isso me chega através do Aristóteles. Para ele, a mimesis não seria uma reprodução da realidade tal como ela é, mas uma operação técnica e se produção - uma poiesis - que introduz nessa mesma realidade uma diferença. Ou seja, a obra de arte não é mera fotografía do real, mas, justamente ao contrário, um espaço-tempo que transforma esse mesmo real.

Por isso me pergunto: onde está a diferença em YELLOW BASTARD? Para além de termos um marciano falando à raça humana, onde está a diferença? Seria em sua sensibilidade (poética) para ler o humano? Seria a sua linguagem e o modo pelo qual ele aprendeu a nossa?

A partir dessa semana, início de agosto de 2017, começaremos a nos encontrar semanalmente para começar - de fato - essa criação. Este blog, então, passará a ter mais registros do caminho criativo.

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